domingo, 31 de janeiro de 2010

Desvendando os elementos

A química inorgânica é um ramo da ciência que nos permite entender melhor o universo caótico e bizarro em que vivemos. Não basta, no entanto, querer entender apenas as questões de relacionamento dos átomos e suas interações para a formação de ácidos, alcalis e sais, é preciso aprofundar-se no entendimento do que seus símbolos e estruturas representam.

Todos que intentem viver de uma maneira compatível com os elementos devem, antes de mais nada, providenciar uma tabela periódica e andar com a mesma na carteira ou na bolsa. Nunca se sabe quando será necessário saber quantos são os isótopos do escândio. (Caso você não saiba, são 13)

Por exemplo, pegue o cobalto que é um elemento químico de número atômico 27 encontrado em temperatura ambiente no estado sólido. É um metal duro, ferromagnético, de coloração branca azulada.

Além de ser um elemento essencial para mamíferos como você, o cobalto também tem diversas aplicações que vão desde gerar superligas até ser utilizado em pigmentos.

Analisemos o que tudo isso pode significar para a sua vida, a primeira coisa que vai perceber é a simbologia matrimonial embutida no número atômico. Desde os tempos mais remotos da dinastia sān huáng wǔ dì, o 27 é o número que simboliza o casamento que nunca tem fim. As chinesas, ao invés das alianças de ouro usadas pelos ocidentais costumavam tingir seus noivos com cobalto, o que garantia casamentos que se estendiam além da eternidade.

O fato do cobalto ser encontrado em temperatura ambiente demonstra de forma inequívoca que, por mais que pareça um elemento etéreo e inexistente, ele está sempre pronto a ser encontrado, basta olhar com atenção para as suas fontes. Quando encontrado, seu estado é sólido.

Ao contrário do que alguns leigos costumam alardear, o cobalto é um metal, o que garante uma boa condutividade elétrica e de calor. No caso específico desse elemento, ele é rico em trocas elétricas e costuma gerar um calor intenso e constante. Mais que um metal, ele é ferromagnético e produz atrações entre polos que são irresistíveis.

Apesar de aparecer na natureza com colorações que variam do verde ao azulado, isso não passa de uma corrupção provocada por outros elementos. O cobalto é definitivamente azul, uma cor luz primária e uma cor pigmento derivada do cian e do magenta. É a cor da paz, da harmonia e da ordem muito apreciada por seres metódicos.

Na nossa próxima incursão pela química inorgânica, vamos estudar o Boro, elemento de número atômico 5, muito usado em reações nucleares explosivas.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Espuma para dois

" - Meu amor, chega um pouco mais para lá, assim esta me apertando demais..."

" - Me desculpe, assim de lado sempre é mais difícil. Você não acha que essa água está muito quente?"

" - Eu gosto da água pelando, você sabe disso..."

" - É que eu não quero que queime essa sua linda pele..."

" - Não se preocupe amor, eu estou protegido, e depois passo um hidratante..."

" - Por falar em hidratante, boa essa espuma, perfumada..."

" - É feita com essência de miosótis. Li que penetrava melhor..."

" - Parece que sim, dá até para sentir..."

" - Não esqueça de pegar aquela bucha nova... Cuidado!"

" - O que foi amor?"

" - Seu braço quase apoiou numa ponta frágil..."

" - Isso sempre escorrega da minha mão..."

" - Coloque o lado aberto para baixo..."

" - Tem hora que isso cansa..."

" - Mas acabou. "

" - Acabou nada, agora quem é que enxuga e guarda essa louça toda?"

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Hai Kais traídos

Despertar do sol
desliza a cobra na cerca
busca sua presa

Cobra e humildade
não combinam nem se casam
auto adoração

Plena de avidez
corpo e alma num bocado
ela comerá

Em todo lugar
as cobras se espalharão
cuidado é pouco

Os originais são do indiano R.K. Singh

Sunny morning:
a snake slides through the fence
looking for a prey

the snake is
a self-adoring creature
humility
is not a feature

snakes are full of greed
upon your soul
he will feed

snakes are
everywhere
so beware

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A intolerável antologia de Dezembro

Clique na imagem para ampliar

Já faz tempo que dezembro acabou...mas a antologia não ficou esquecida.

Se você é novo por aqui o negócio é o seguinte. Essa é uma seleção dos melhores comentários dos meus leitores, que eu tiro de contexto.

Leia-os sem se preocupar com a postagem original. E imagine a que se referem.

Porque por aqui a sanidade é a exceção..

Uma instabilidadezinha de vez em quando pra testar a resistência dos materiais e pra elevar as temperaturas não é tão ruim assim...

isso está me parecendo mais paleontologia.

Qual a marca do seu fermento? :-)

O Salomão atual seria um raper?

...e olha que isto é só aquilo que ja saiu do forno!

...a varinha acaba de me tocar...

pra escrever algo assim, precisa ser muito desocupado!!!

é o sonho de consumo de qualquer mulher...

juro que hoje,ainda não bebi...nada.

Deve ser porque ele não quer que eu fuja, né????

Tenho a opinião de que, se precisa explicar é porque não foi bem escrito.

o melhor não é o primeiro, mas sempre o último.

Não subestime uma mulher desconsiderada.

Como fica sem seus posts??? Humpf.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Pelo telefone

Cena: Marivaldo e Marinalda sentados na sala tomando café. Toca o telefone, Marivaldo atende:

"- Alô ! Sim, sou eu mesmo. O que você precisa ?

"- ......................."

"- Sua cosmogonia duschampiana impede que as holografias cósmicas interditem a camada de ozônio..."

"- ......................."

"- Mas as teses de Itararé eram nonsense demais para o espírito eduardiano que dominava as mentes de Inverness."

"- ......................."

"- Olha, eu prefiro a exegese à propedêutica, a poesia à prosa e a perdiz à codorna."

"- ......................."

"- Aí já é hermenêutica pura, não sei se minha metacognição chega a esse apex holítisco..."

"- ......................."

"- Sim claro que eu concordo com você, mas aí já estamos entrando na metafísica Saussuriana o que torna toda essa epistemologia decadente."

"- ......................."

"- Por outro lado a quadratura dos heptágonos irregulares parecem confirmar o teorema de Fermat."

"- ......................."

"- Isso não significa nehuma logaritmia mórbida, apenas uma paragênese de núcleos imantados por incunábulos hititas.

"- ......................."

"- Catão certamente improperaria toda essa catilinária bizarra."

"- ......................."

"- Claro que não tinha a intenção de lhe ofender com isso...que mal educado, desligou na minha cara!"

"- Que era Marivaldo?

"- Não sei, acho que foi engano."

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A chave do castelo

O primeiro cavaleiro chegou ao portão do castelo ao amanhecer. Dentro dele a princesa aguardava por aquele que fosse resgatá-la.

Não havia dragões nem bruxas a serem vencidos. A princesa não tinha sido envenenada, nem estava numa torre guardada por abutres. Tudo que o cavaleiro precisava fazer era abrir o portão.
Ao lado do portão um guardião segurava um molho de chaves, ao todo não passavam de uma dúzia delas.

O primeiro cavaleiro, um herói lendário e cheio de si, olhou a princesa que o observava de uma janela vestida num longo vestido negro. Enfiou a mão na algibeira de onde tirou uma imensa chave, desprezando completamente as chaves do guardião. Como seria de se esperar a chave sequer entrou na fenda da fechadura. O cavaleiro, inconformado com seu fracasso, tentou derrubar o portão dando golpes com sua imensa chave.

E foi embora. Da janela a princesa balançou a cabeça.

No meio da tarde chegou o segundo cavaleiro. Seu cavalo e seus trajes não eram tão luxuosos quanto os do primeiro mas tinha porte de príncipe encantado.

Ao chegar, logo viu as chaves na mão do guardião. Pegou-as, olhou para a fechadura e identificou três delas que poderiam servir. Colocou-as no chão diante de si, lançou seu chapéu para o alto e escolheu a chave que estava mais próxima de onde caira o chapéu. Seguiu resoluto em direção ao portão. A chave entrou na fenda, mas não girou. Forçou-a de tal forma que quase entortou a fechadura.

Abatido, olhou para a princesa com um olhar de constrangimento, fez uma reverência com o seu chapéu, subiu no cavalo e foi embora.

Ao entardecer surgiu o terceiro cavaleiro. Ele aparentava cansaço da viagem mas trazia o olhar cheio de esperança. Olhou para a princesa que lhe sorriu.

Pediu as chaves ao guardião, olhou para cada uma delas, espalhou-as em frente à janela da princesa e disse:

"- Senhora da minha vida, eu não tenho vergonha de vos perguntar qual das chaves é a que me dará acesso ao seu coração..."

" - Meu cavaleiro - ela repondeu - a chave certa não é nenhuma dessas que está à sua frente, mas aquela que trouxestes com a sua alma. Quem abriu a porta foi a vossa pergunta."

Nesse momento ele viu o portão se abrir e, pelas escadas a princesa vindo em sua direção vestida de cores alegres e vibrantes. Entregou-lhe o buquê de lavandas que colhera no caminho e ajudou-a a subir no cavalo.

Partiram em direção à lua crescente que surgia no horizonte. Sementes de lavanda sopradas pela brisa floriam seu caminho.