domingo, 31 de agosto de 2008

Constatações olímpicas

Passamos por mais uma olimpíada. Do evento eu até gosto, mas a cobertura jornalística me mata. Na semana começam as para-olimpíadas (ou "as olímpiadas dos coitadinhos que superaram todas as suas limitações..." conforme narrará a mídia). Sobre esse assunto já escrevi em Vidas Paralelas.

Vamos a Pequim:

204 países participaram das Olimpíadas de Pequim, 87 ganharam medalhas, 55 países ganharam, pelo menos, 1 medalha de ouro. Os Estados Unidos ganharam mais medalhas, 110. A China ganhou mais medalhas de ouro, 51.

Se Michael Phelps fosse um país ele teria acabado os jogos em 10o. lugar, à frente de países como a Holanda, França e Canadá

Sem as medalhas de Usain Bolt, a Jamaica cairia da 13a para a 23a posição. Se o Brasil não jogasse vôlei, perderia quase 10 posições também.

Nas Américas, o Brasil só ficou atrás dos Estados Unidos, Canadá (de quem só perdemos na Prata) e da Jamaica "Bolt" e, pela primeira vez, à frente de Cuba.

Se ainda existisse, a União Soviética teria ficado em segundo lugar com 44 medalhas de ouro.

O maior vice da competição foram os Estados Unidos (vice no geral e o maior ganhador de medalhas de prata)

O Brasil terminou em 23o lugar. O que pode parecer pior que o 16o lugar de Atenas. Mas em Atenas ganhamos 10 medalhas, em Pequim 15 (nem nas Olimpiadas boicotadas, Moscou e Los Angeles, chegamos perto disso)

E não esqueça, historicamente esse é o país da Vela e do Vôlei (16 medalhas cada), do Judô (15 medalhas), do Atletismo (14 medalhas) e da Natação (11). Ou seja, 77% das 91 medalhas que o Brasil ganhou em todas as edições das olimpíadas.

Eu, que não sou um ufanista, mas também não suporto o tom derrotista da nossa imprensa esportiva que é reproduzido nas ruas, como um bando de papagaios chorões, saúdo os homens e mulheres de ouro, prata e bronze.

E também aqueles que, mesmo não ganhando medalhas, chegaram até lá, um pouco mais de 250 pessoas (1 em cada 700.000 habitantes), o que não é para qualquer mortal.

sábado, 30 de agosto de 2008

Mais uma traiçãozinha

O primeiro disco de Paul McCartney pós Beatles não era grande coisa, mas trouxe uma pequena jóia que antecipava a discussão sobre o consumismo : Junk (Lixo).

Uma canção linda que eu resolvi trair aqui


Lixo (Paul McCartney)

Motonetas, espoletas
Um sofá prá dois
Lembranças do coração
Velhas botas, rotas notas
Tudo que vem depois
Sentimento e confusão

Mais, mais
Diz a oferta lá no cartaz
Vai, vai
Lixo lá no porão

Belas velas, azulejos
Tudo velho e atual
Memórias sem igual

Mais, mais
Diz a oferta lá no cartaz
Vai, vai
Lixo lá no porão

O original é o seguinte :

Motor Cars, Handle Bars
Bicycles for Two
Broken Hearted Jubilee
Parachutes, Army Boots
Sleeping Bags for Two
Sentimental Jamboree

Buy Buy
Says the Sign in the Shop Window
Why Why
Says the Junk in the Yard

Candlesticks, Building Bricks
Something Old and New
Memories for You and Me

Buy Buy
Says the Sign in the Shop Window
Why Why
Says the Junk in the Yard


Se você quiser ouvir, basta clicar aqui embaixo


quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Amigo Aurélio


À sombra de oleandros e himenéias, alguns álanos caramboleiros empolavam suas testacelas e suas tencas, fruto de uma estancada, para combater o hecistotermo.

O clima lôbrego afugentava a mais famanaz das aperemas, mesmo assim os utentes dos tipitis que não perdiam seu entono, ladravam lais.

Um arruá uncinado estropiava os epinícios amínticos sob a pletora de contumélias.

Dores atras oriundas de aposirmas na ourela do capilamento, como se fossem transatas da maiêutica.

No horizonte o sol se punha em sinédoques arabistas, como uma coda de rotenonas banhando os inés.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Contículo barbárico

Todoz os diaz ele axava que ceria mais ben sussedido nas suas elocubrassões.

A entrevixtadora do enprego o escolieria, a garota que flertava lhe sorriria e, finaumente venceria o concurço da mega cena.

Como cempre, extava rotumdamente esganado. Nem sua pesquiza de prototipos, nem sua teze academica decolavão.

Rezolvel tentá uma nova carreira. Comessou a estudá a auma umana. Ceria picicologo. E dos boms.

Tornouce um leitor voras. Fróid, Iungui, Lacão, Pavilove e Esquiner. Balansou entre o extruturalismo e o birreiviorismo, mas prefiriu a guestauti de Raixe.

Nem o tijolo nem a argamaça lhe sedusiam como a vizão olística do omen e a persepsão do mumdo. A paichão era mesmo a fôrma, a configurassão.

Acim como as fôrmas de Eloiza. A quem paçou a dedicar dodecacílabos eróicos.

Ela, que não paçava de uma aufabetisada funcionáu, encantouce com os verssos e com o discurço cujo todo era maior que a çoma das parte e se deichou sedusir.

Acabarão se envouvendo em terapias corporais e organizmicas cem se prender as teorias do canpo.

Oje viven no Arraiáu da Ajuda, com os trêis filios, vendemdo artezanatu.

barbarismo: consiste em gravar ou pronunciar uma palavra em desacordo com a norma culta.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Ano 2

Antes de mais nada, gostaria de agradecer muito a meus leitores pela paciência que tiveram para me acompanhar durante todo esse ano e, em especial, aqueles que, além de ler, ajudaram a manter os blogs como espaços interativos com os seus comentários.

Quando comecei o Mens Insana eu mesmo não acreditava que pudesse manter um ritmo de produção suficiente para publicar todos os dias. Com o passar do tempo, descobri que quanto mais escrevia, mais fácilmente me surgiam os temas.

Claro, algumas vezes reciclei textos antigos, mas essa prática foi pouco necessária. Acredito que menos de 10% dos posts não tenham sido escrito durante esse ano.

Em compensação, consegui fugir do perigo de escrever sobre atualidades políticas, mesmo porque essas são insanas por conta própria.

E acabei gostando da brincadeira de blogar, tanto que em março surgiu o Calvinistas, graças a Deus, em abril eu e o Volney relançamos o Espicaçando o Marketing e em maio surgiu o Inclusão: ampla, geral e irrestrita. No total, foram 446 publicações em 366 dias. 366 delas no Mens Insana.

Pretendo manter o ritmo de um texto por dia, agora que começa o Ano 2. Mas vou mudar a freqüência de publicação - não só para conseguir atingir essa meta, mas também para não saturar o meu público (e o Google Analytics me aponta claramente os dias em que as pessoas não estão afim de ler).

A partir de hoje, às Terças, Quintas e Sábados, saem novas Insanidades. Às segundas-feiras Espicaçarei o Marketing (o Volney espicaça às 5as feiras), às quartas feiras exercerei meu Xiísmo Inclusivo e, aos sextas, minha essência Calvinista. Aos domingos deixarei por conta do que der na telha. Além disso continuo participando como colaborador do Disdeficiência e do Tópicos em Autismo e Inclusão.

domingo, 24 de agosto de 2008

Um ano insano


Hoje o Mens Insana completa o seu primeiro ano de vida. O que aconteceu aqui durante esses 366 dias foi o seguinte :

Todos os textos são meus, com exceção dos videos e das imagens da semana. A maior parte das ilustrações foi obtida no Google Images, algumas distorcidas com um editor de fotos. Outras fotos são minhas e 4 delas são da Rejane Martins.

Insanidades é, obviamente, o tag com mais entradas - 79. Poesia (uma outra forma de insanidade), segue de perto, com 64.

Janeiro de 2008 foi o mês com menos publicações: 11, Fevereiro, o que teve mais: 40.

Macho man ainda é a publicação que gerou o maior número de comentários.

Os dois textos mais lidos foram 47 e De Adiron para Adiron desde 1890 (o Samuel só não me bateu por 1 leitor)

O blog teve 19.116 visitas de 9.648 visitantes únicos. A maior fonte de origem de leitores é o Google (ainda que deva decepcionar muitos dos que esperavam uma resposta séria sobre o que é paideuma - a palavra que gerou mais buscas - manguito rotador ou a história do automóvel). *

Em média as pessoas passam 2 minutos e meio no blog.*

Recebi a visita de pessoas de 58 países. Depois do Brasil, Portugal e Estados Unidos são os mais freqüentes. Agora os que mais me surpreenderam foram : Filipinas, Tailândia, Tanzânia, Paquistão e Arábia Saudita. As cidades que aparecem mais são, na ordem: São Paulo, Osasco, Rio de Janeiro, Londrina e Brasília. Não faço a menor idéia onde fique Sacavem (36 visitas).*

Nos últimos meses o Mens Insana se estabilizou, em termos de visitas, sendo lido cerca de 2000 vezes por mês.

Obrigado a todos, em especial aos que se deram ao trabalho de comentar. Amanhã eu conto qual é a minha proposta para o Ano 2


quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Qual é a música ?

Muitas pessoas sabem que eu sou um colecionador de discos e me enviam perguntas técnicas a respeito do assunto na página Querido Insano.

A última delas, enviada por um leitor que se assina "Piloro despetalado", pergunta onde é possível encontrar as letras das músicas de um CD.

Meu caro Piloro : normalmente, assim que você adquire um novo CD, o processo, ainda que pareça complexo, é complexo mesmo. É necessário remover a capa de celofane, abrir a caixa do CD e procurar a brochura que o acompanha. Lá estão as tão desejadas letras das músicas.

Como exemplo, peguei o CD que estava mais próximo da minha mesa, um dos discos que meus filhos deixam espalhados pela casa. Lá fui buscar a letra da primeira canção da chapinha de metal, denominada "A canção do alfabeto". Estava lá. Mas para transcrever aqui tive de corrigir alguns erros tipográficos :

Abe cede ef gehi jklmn no pé quer stluv wex whyz.

Nesse momento notei o quão assustadora é a mensagem. Como pode um disco de canções infantis reproduzir palavras que soam como as de um culto antropafágico das Ilhas Nagaristas ?
Imagino que isso deva ser algum tipo de conspiração anarquista, apesar de constar que o copyright é do século XVIII. Descobri que o autor era um austríaco (o que poderia dizer disso ?).
Também descobri que a letra original foi criada por uma corja de facções indo-européias com a ajuda daqueles gregos politeístas.

Por isso recomendo. Sempre leia a letra das músicas antes de repassar o CD para as crianças.

Brincando com as letras


Apenas brincadeiras, sem nenhum valor literário....

Anagrama (do grego ana = "voltar" ou "repetir" + graphein = "escrever") é uma espécie de jogo de palavras, resultando do rearranjo das letras de uma palavra ou frase para produzir outras palavras, utilizando todas as letras originais exatamente uma vez.

Brinquei de fazer um anagrama crescente (adicionando uma letra nova a cada linha e depois decrescente)

lea
vale
velar
valerá
me levar
vermelha
em valer
revela
relva
leva
ela


Pangrama: Pangrama é uma frase que usa todas as letras do alfabeto. O clássico da língua inglesa é : "The quick brown fox jumps over the lazy dog". Eu não consegui ser tão sucinto a ponto de evitar muitas repetições

Dez jabutis numa viagem querem broches preciosos de ônix

Palíndromo é uma palavra, frase ou qualquer outra sequência de unidades que tenha a propriedade de poder ser lida tanto da direita para a esquerda como da esquerda para a direita. A palavra "palíndromo" vem das palavras gregas palin ("trás") e dromos ("corrida").

Os palíndromos classificam-se em: explícitos - trazem sempre uma mensagem direta, clara e inteligível, como "Socorram-me, subi no ônibus em Marrocos”; interpretáveis - têm coerência, mas requerem esforço intelectual do leitor para serem entendidos, como "A Rita, sobre vovô, verbos atira." e os insensatos - cuidam apenas de juntar letras ou palavras sem se preocupar com o sentido, como "Olé! Maracujá, caju, caramelo."

Os que eu cheguei foram os seguintes :

Lev ama amora esse aroma amável

A casa namora oco aroma na saca

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Cenas enológicas


Para a Rejane que me provocou esse texto*

Diferente do whiskey, bebida comum dos corações quebrados e dos durões, vinho e cinema nem sempre andaram de mãos dadas. Provavelmente porque os americanos não eram grandes consumidores de vinho como são atualmente, talvez pelo vinho ser uma bebida mais complexa, quando Holywood prima pela simplicidade.

Não é uma tarefa fácil pensar em filmes onde o vinho tenha um papel significativo, que seja colocado no lugar certo e ainda ser um filme bom. Em alguns filmes há vinho demais, em outros no lugar errado, e não poucos são filmes muito chatos. Não que o vinho seja o ator principal de cada um deles. Muitas vezes ele faz apenas uma ponta, mas vale a pena.

Evito aqui filmes sobre vinho como Mondovino e Sideways e nem vou entrar na cinematografia européia, onde eu precisaria de mais de uma década para fazer uma seleção desse tipo, exceto por um filme inglês que muitos imaginam que também seja americano.

Pegue a lista, vá até sua vídeo locadora, no caminho passe no seu fornecedor preferido de vinhos e compre uma boa garrafa para beber enquanto assiste – não saberia dizer de bate pronto qual seria o melhor vinho para se beber com pipoca.

Comece com Casablanca (1942). O eterno candidato a melhor filme de todos os tempos tem rios de Champagne fluindo, melhor, ninguém nunca paga a conta. O Capitão Renault ironicamente oferece um Veuve Clicquot 1926 ao major nazista, ressaltando que é um excelente vinho francês. Além da cena em que Bogart e Bergman no café, ainda em Paris, pedem mais Champagne para secar o estoque antes que os alemães cheguem. O brinde? "Here's looking at you, kid."

De Bogart vá para Connery. Você está enganado se pensava que James Bond só bebia Dry Martini. Em O satânico Dr No (1962), de novo é o Champagne que rouba a cena quando Bond pega uma garrafa como arma. Dr No lembra que aquela era um Dom Perignon ´55 e que seria uma pena quebrá-la. Bond coloca a garrafa de volta na mesa e responde: eu pessoalmente prefiro a ´53. Ele acaba bebendo uma de 1953 em Goldfinger, mas em Thunderball pede a mesma 1955 que desprezou – deve ser por isso que o filme é tão ruim.
Dê um pulo no tempo e vá para 1995. French Kiss já começa com Kline colocando uma muda de uva na sacola de Meg Ryan. Por que alguém contrabandearia uma cepa canadense para a França me foge à compreensão e a ingenuidade da mocinha nem percebe o absurdo. Os passeios da dupla pela vinha, a caixa de aromas, as cenas de degustação são ótimas. A ponto de Ryan num momento soltar uma jóia: "um vinho simples com uma pitada de sofisticação e falta de pretensão (pausa)...na verdade estava falando de mim e não do vinho."

Ainda no clima romântico e de volta ao passado veja Gigi (1958) A mocinha interpretada por Leslie Caron é treinada por sua tia para ser uma cortesã, a reconhecer jóias verdadeiras, a falar e como se recostar no sofá. Mas também tem aulas de como beber vinhos. "Você precisa sentir o aroma, o primeiro gole deve ficar no céu da boca e ser inspirado pelo nariz...aí você vai sentir o sabor, um mau vinho terá um gosto duro, mas os bons são muito suaves." A velhinha era mesmo muito malandra. O filme ainda trás a canção romântica "The Night They Invented Champagne" e cenas nos melhores restaurantes de Paris.

O filme inglês que mencionei é Notorius (1946) de Alfred Hitchcock. De novo Ingrid Bergman e, de novo champagne. Cary Grant suspeita que os nazistas estão escondendo uma substância para produzir armas radioativas na adega da mansão do bandido. Os dois então começam, escondidos, a abrir garrafas de champagne durante uma festa dos nazistas – se a champagne da festa acabar eles serão descobertos e mortos. É capaz de você gritar: ora vão beber cerveja, diabos!

Se você tiver um estômago sensível, evite esse último filme. Em Silêncio dos inocentes (1991) há uma cena memorável de combinação de pratos e vinhos. Conversando com Jodie Foster. Anthony Hopkins diz: "um cara do censo tentou me testar uma vez, eu comi o seu fígado com favas e um bom Chianti" (e faz o som de sugar o vinho...). No livro, o autor Thomas Harris usava um Amarone ao invés de um Chianti, mas esse é um vinho menos conhecido e escandalizaria menos os espectadores. Não que um Chianti não combine com fígado, mas talvez um vinho com notas de frutas vermelhas escuras ficasse melhor.

*Texto escrito para a Revista Pier Sul de Porto Alegre

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Hai kais sobre um mote latino


Dubitando ad veritatem parvenimus. Cícero (De officiis)

Mesmo se duvido
Verdade nem sempre é
Porto de chegada

Ela olha e diz
Questiona meu desejar
Verosimilhança

Liberdade dei
Esta que nunca alcancei
Fonte a renascer

Rochedo no mar
Inventa todos matizes
Magia da cor

Dúvida verdade
Liberdade como o mar
Chega sem partir

*Haikai (Haïku ou Haicai) é um forma poética de origem japonesa, surgida por volta do século XVI, que valoriza a concisão. O haikai é a arte de dizer o máximo com o mínimo. Cada haikai capta um momento de experiência, um instante em que o simples subitamente revela a sua natureza interior e nos faz olhar de novo o observado, a natureza humana, a vida. O grande mestre haikaista foi Matsuô Bashô (1644-1694). É um poema de três versos, escrito em linguagem simples, sem rima, com dezessete sílabas poéticas (sendo cinco no primeiro verso, sete no segundo e cinco no terceiro).

Outras séries de hai kais nesse blog

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Tico tico na tapioca

A tapioca é um alimento inventado pelo governo paraguaio durante a gestão de Solano Lopez, depois que espiões infiltrados no pantanal matogrossense descobriram as misteriosas árvores de tereré, fato ocorrido durante a batalha de Lomas Valentinas.

Os cientistas, todos de origem guarani, descobriram que o refino de cabelos de oficiais mamelucos dentro de baldes do suco do fruto da planta produzia uma calda que concentrava os nutrientes de ambos os componentes da fórmula. O primeiro uso da tapioca foi como agente dopante de cavalos, depois também usado com componentes da artilharia. A guerra só não foi vencida com o uso da fórmula porque a equipe paraguaia foi denunciada à comissão anti-doping internacional pelo Almirante de Inhaúmas.

O uso da tapioca só foi retomado durante o ciclo de ditaduras latino americanas, primeiro com Peron, que rompeu os acordos multilaterais com as agências internacionais e legalizou a gororoba para fins militares. Durante a operação Condor foi usada como instrumento de tortura, pois provocava fortes cólicas nas milicias urbanas cujos estômagos não toleravam acepipes rurais.

Somente no final da década de 80, bioquímicos iemenitas conseguiram isolar os efeitos letais do caldo, tranformando-o num alimento saudável e popular. A raiz do tereré é descascada, ralada e espremida. O resultado é um líquido leitoso que é colocado de descanso num recipiente. A goma de tapioca separa-se do caldo capilar, formando uma massa mais ou menos sólida no fundo do recipiente. A água é então escorrida e a massa é colocada para secar ao sol.

Não faz muito tempo, porém, que ela atraiu a atenção de alguns criativos chefs de cozinha brasileiros, que decidiram transformar a tapioca numa moda em seus restaurantes. Hoje a tapioca é um sucesso na culinária contemporânea. Os chefs criaram versões inovadoras da tapioca, para agradar uma clientela mais seleta, e usam suas habilidades para dar uma cara nova à versão tradicional.

domingo, 17 de agosto de 2008

Piratas e outros insetos quaisquer


A imagem da semana é uma colaboração à discussão sobre pirataria do ótimo Coxa Creme do Ricardo Cavallini.

Para ampliar, clique sobre a imagem. Me desculpem o inglês, mas piada é algo intraduzível.

sábado, 16 de agosto de 2008

Confissões de um traidor

e.e. cummings é bastante conhecido pelo estilo não usual utilizado em muitos de seus poemas, que incluem o uso não ortodoxo tanto das letras maiúsculas quanto da pontuação, com as quais, inesperadamente, sem motivo e de forma aparentemente errônea, é capaz de interromper uma frase, ou mesmo palavras individualmente. Muitos de seus poemas possuem, também, uma distribuição não convencional, aparentando pouco ou nenhum sentido até serem lidos em voz alta.

poema vi


uma vez que primeiro vem o sentir
este que repara atentamente
na sintaxe de cada coisa
jamais te beijará por inteiro
inteiramente insano
durante a Primavera que acontece

meu sangue aprova
e beijos tem melhor destino
que a sabedoria
posso garantir, por cada flor, senhora. Não chore
- o melhor gesto do meu pensar vale menos
que o movimento dos seus olhos que dizem

somos feitos um para o outro: então
ria, descansando nos meus braços
a vida não se resume a um parágrafo.

A morte é muito mais que um parêntesis.


poem vi

since feeling is first
who pays any attention
to the syntax of things
will never wholly kiss you;
wholly to be a fool
while Spring is in the world

my blood approves,
and kisses are a better fate
than wisdom
lady i swear by all flowers. Don't cry
—the best gesture of my brain is less than
your eyelids' flutter which says

we are for each other: then
laugh, leaning back in my arms
for life's not a paragraph

And death i think is no parenthesis

(e.e.cummings - xix poemas - Assírio & Alvim - Lisboa 1998)

Para entender melhor as traições clique aqui

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Como conquistar uma mulher

Minha caríssima amiga Cristiana publicou hoje a sua receita de homem ideal, que não deixa de ser uma questão de gosto. Como as Insanidades preferem o modelo pseudo-científico-neomarxista-concreto-estruturalista, abaixo seguem as informações de como as coisas realmente funcionam.

Passo 1 : Vá ao geneticista mais próximo e faça uma análise de genoma

Passo 2 : Tente surrupiar um fio de cabelo da mulher pretendida e descubra o mapa genético da mocinha

Passo 3 : Se as características genéticas suas forem diferentes das dela, suas chances são grandes e, em hipótese alguma você deve usar perfumes, desodorantes, sabonetes que mascarem o seu cheiro... nem aquele budum que você adquire depois de um jogo de futebol

Passo 3a : Se vocês forem similares geneticamente e, mesmo assim, você continuar interessado na garota, invista em todos os recursos olorosos que façam com que seu cheiro difira dos do seus gens.

Passo 4 : Se você tiver a informação de que ela tome pílula anticoncepcional, inverta as recomendações dos passos 3 e 3a acima

Me desculpe se você estava esperando dicas ao estilo Cyrano de Bergerac, algo no gênero flores, poesia e reparar que ela cortou dois décimos de milímetro do cabelo mas, de acordo com um estudo de cientistas de Liverpool (e não são descendentes dos Beatles) a pílula pode perturbar o sentido do olfato inerente nas mulheres, levando-as a escolher um parceiro inadequado geneticamente.

Os pesquisadores alegam que as mulheres são naturalmente atraídas por homens que são geneticamente diferentes delas, o que corrobora o ditado que os diferentes se atraem mas, por outro lado tornaria o incesto algo inexistente

A chave deste sistema de atração é o olfato (você sabia que os genes tinham cheiro ?) Segundo essa tese a escolha de um parceiro é determinada por feromônios, sinais químicos quase sem cheiro. Um homem que uma mulher acha atraente pelo olfato muito provavelmente tem um sistema de genes diferente dos dela.

No entanto a pílula, além de ter seu efeito proposto de evitar filhos, também evita que o cheirômetro funcione corretamente, o que pode ainda ajudar a explicar rupturas em relacionamentos pois a percepção do odor tem um papel importante em manter a atração entre parceiros - disso eu nunca tive dúvida - quem não gosta de um parceiro perfumado ?

Em breve deve surgir um novo estudo correlacionado o incesto ao uso de anticoncepcionais ou de perfumes.

Enquanto o estudo não for divulgado com mais detalhes sugiro que você leia com mais atenção o nome dos componentes da fórmula dos produtos de higiene que você usa.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

O automóvel

Em homenagem ao tetra da Vilma

Como todos sabem, Genaro Romisetta construiu o primeiro carro popular da indústria brasileira. Mas o empreendedor sino-itabirense não foi original, já que baseou sua criação em alguns exercícios de design que haviam sido desprezados por Leonardo da Vinci.

O automóvel, uma carruagem automotiva, foi inventado no Nepal. O nome do inventor foi traduzido para a linguagem ocidental como Chico Gasolina, uma vez que é quase impossível pronunciar o nome real em nepalês.

Anos mais tarde o inventor foi homenageado pela indústria petrolífera e o líquido usado como propulsor foi batizado com o seu nome (atualmente é batizado com água e álcool)

Como tantas outras invenções, essa também foi acidental. Gasolina dirigia calmamente seus carro de bois pelas escarpas do Himalaia quando perdeu as rédeas numa das íngremes descidas locais, passando por um vilarejo a 10 km/h e, pelo seguinte a 20 km/h, deixando em pânico os citadinos e os iétis.

O carro só parou quando encontrou a subida do outro lado do vale. Chico ficou tão empolgado que soltou o breque e voltou de ré, repetindo a sua fabulosa performance, só para demonstrar as possibilidades da nova invenção.

Depois do ocorrido, os iétis nunca mais foram avistados.

Já a motocicleta foi criada pelo jovem basco Marcus Cicleta. Durante um passeio de bicicleta (uma invenção do seu avô Bibi Cicleta), ele teve a idéia de colocar um propulsor no veículo. O nome da nova invenção foi a combinação do nome do periquito de sua tia, com o seu sobrenome. O museu de Marcus Cicleta pode ser visitado em Gipuzkoa

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Tempus fugit

Meu amigos e inimigos íntimos sabem que eu não levo datas comemorativas muito a sério. Aliás, nada a sério, o que já fez com que muitos dos meus romances da juventude sucumbissem diante do meu ceticismo em relação ao dias do namorados.

O que não significa que eu seja totalmente avesso a qualquer tipo de comemoração. Eu adoro aniversários, seja o meu, seja os das pessoas que eu gosto. Afinal, fazer aniversário sempre é uma oportunidade de comemorar a vida e, cá entre nós, viver é muito bom.

Só lamento que os mesmos aconteçam apenas uma vez por ano (nunca achei muita graça nos desaniversários da Alice - a do Lewis Carroll, não a minha amiga).

Ou melhor, lamentava. Descobri uma forma de comemorar meses, semanas, dias...até o limite de milésimos de segundo (se bem que esses são de difícil comemoração, quando acabo de cantar os parabéns já se passaram milhares deles)

Por isso mesmo que eu aproveito para comemorar hoje, mais um dos meus aniversários. No dia de hoje eu completo exatamente 2500 semanas de vida. Dois milheiros e meio. 25 centenas.

Mais que isso, posso aproveitar também para comemorar meus 17.500 dias de vida, amanhã serão 420 mil horas !

Acho que isso é motivo suficiente para abrir uma garrafa de um bom vinho.

Se você quer saber como usar essa boa desculpa, depois brinque também na Calculadora da Vida.

Feliz aniversário !

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Contículo metafórico

Meu pensamento é um rio subterrâneo. Fernando Pessoa


Seus olhos eram como dois oceanos, dois diamantes brilhando em seu rosto de maçã coberto pela floresta de seus cabelos.

Eu, um cachorro sem sentimentos, nunca consegui dar-lhe o momento amarelo em que o outono subiria pelas trepadeiras.

Nunca andei bem da cabeça e ela, com a sagacidade das tigressas da floresta, nem me considerava um eventual pretendente.

Tornei-me um poço de amargura. Minha vida fugaz como uma chuva de verão.

Sua imagem não me abandonava, era como um helicóptero que perfura a atmosfera pensando na vertical.

O tempo passou, como uma cadeira ao sol. Ela, como o pão que as estrelas cadentes sovavam passando sua farinha pelo céu, continuava a fazer de mim gato e sapato.

Esperta como uma raposa, fez de mim, forte como um touro, uma rota folha pisada pelos transeuntes. Nem minhas metáforas, hélices da imaginação me sustentavam mais.

Parti, como a revoada das aves migratórias em direção ao sul e jamais voltei.


metáfora: consiste em empregar um termo com significado diferente do habitual, com base numa relação de similaridade entre o sentido próprio e o sentido figurado. A metáfora implica, pois, uma comparação em que o conectivo comparativo fica subentendido.

domingo, 10 de agosto de 2008

We are the champions

O Henfil já sabia que nós éramos os melhores do mundo em qualquer situação, mesmo considerando as atuais condições de temperatura e pressão.

O afeto que se encerra pela pátria em tempos esportivos beira o ridículo.



sábado, 9 de agosto de 2008

Devaneio qualquer

Whitman já dizia que era contraditório por ser vasto. Não sei se sou vasto. Grande, com certeza.

Aprendi que quanto mais amplio meus horizontes, mais conheço, mais experiências tenho, mais aprendo a gostar de coisas e pessoas, em tese, mutuamente excludentes.

Por menos que essas pessoas consigam entender esse prazer diante de situações conflitantes.

Por menos que as pessoas desconheçam as razões pelas quais gosto de outras. Nem sempre é possível distribuir o gosto pela diversidade,

Eu não preciso de motivos racionais para gostar de pessoas, nem de lugares, nem de coisas. Talvez por isso mesmo não tenha a percepção dos conflitos.

Ou, quando tenho, não me importo que ele esteja presente.

Distribuo meu amor e meu carinho indiscriminadamente. Recebo-os de volta com prazer.

O conhecimento e o prazer não se encerram. Nunca estão fartos.

Eu também não me farto.

"Esta manhã, antes do alvorecer,
Subi numa colina para admirar o céu povoado,
E disse à minha alma:
Quando abarcarmos esses mundos
E o conhecimento e o prazer que encerram,
Estaremos finalmente fartos e satisfeitos?
E minha alma disse:
Não, uma vez alcançados esses mundos
Prosseguiremos no caminho."
(Walt Whitman)

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Conticulóides al mare


Lula

Gostava de suas boas e velhas canetas tinteiro mas estava cada vez mais difícil conseguir comprar tinta para as mesmas. Precisava ir ao centro numa velha papelaria que ainda importava o produto. Quando a loja fechou não teve outra alternativa senão subornar os funcionários da peixaria.

Camarão

Todos os dias se despedia da mulher, passava no porto para comprar iscas e seguia em direção à mesma pedra da ponta da praia de onde voltava com uns robalinhos e umas pescadas. Até o dia em que fisgou uma perna-de-moça e nunca mais voltou para casa.

Polvo (de um mote de Bebé Astolfi)

Algumas mulheres gostavam. Outras não. mesmo nos mais ingênuos namoricos ele sempre parecia ter mãos em todos os lugares. Até que encontrou seu par perfeito : a mulher que achava que mão boba era a outra que estava sem fazer nada.

Ostra

Tímida demais. Nunca saia de casa e, quando não podia evitar o fazia muito cedo ou muito tarde para não correr o risco de encontrar tanta gente e, especialmente, algum conhecido. Uma madrugada na feira, o musculoso vendedor perguntou se queria limão. Ela desmontou e foi engolida numa só tragada.

Vieiras

Certa noite acordou com muita dor de cabeça, como se algo quisesse sair pela moleira. Tomou banho, analgésicos, leite e até algumas doses de whisky. Só se sentiu aliviado quando se sentou em frente ao computador e começou a escrever. Era manhã de quaresma e o sermão estava pronto.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Porque os flamingos são cor-de-rosa

Flamingos não são cor-de-rosa, são brancos.

Existe uma falsa informação que circula na internet em alguns e-mails apócrifos que alega que os flamingos se tornaram cor-de-rosa a partir de uma dieta de camarões rosa (grandes, é claro) que lhes foi oferecida no zoológico de municipal da Lagoa da Conceição - local renomado pelos seus restaurantes de rodízio de camarão. Não deixa de ser verdade, no entanto, que essas aves são grandes consumidoras de crustáceos

O que poucos sabem é que os camarões da Lagoa da Conceição são brancos, sendo os machos da espécie 7 barbas e as fêmeas fazem depilação com cera quente. Mas essa é outra informação científica, voltemos aos flamingos.

A verdadeira história remonta à fundação do zoológico de Adamstown, na ilha de Pitcairn. Os gestores do zoocômio tinham a intenção de pintar todo o espaço de cor-de-rosa (talvez influenciados pela filha da rainha Bounty que venerava essa cor), no entanto, antes de sua inauguração, um flamingo escapou da sua gaiola e acabou caindo dentro de uma das latas de tinta cor-de-rosa que usavam os pintores. Quando foi capturado de volta estava todo encarnado.

Os gerentes do zoológico gostaram tanto da ave cor-de-rosa que decidiram pintar todos os demais flamingos ao invés de pintar o zoo.

Os primeiros visitantes do parque eram informados pelo guias de turismo que as aves tinham aquela cor pois tinha sido importadas do zoológico da Conceição, onde comiam camarões rosa, o que, naturalmente, fez com que as pessoas, que não faziam idéia do que era um flamingo, ou qual era a localização da Lagoa da Conceição, acreditassem.

A imagem de flamingos cor-de-rosa, cartão postal do Zoo de Adamstown, ficou tão famosa que hoje até os fotógrafos da National Geographic editam as cores dos ciconiformes no photoshop (antes do photoshop eles eram obrigados a andar com tinta rosa em spray e tingir os flamingos antes de tirar as fotos, o que era consideravelmente mais complexo).

Apesar do flamingo ser a ave oficial de Trinidad e Tobago, essa potência centro americana nunca mudou a cor da sua bandeira para o cor-de-rosa, uma vez que seus historiadores conhecem a verdadeira origem dessa falsa coloração das pernaltas.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

A inominável antologia de Julho


Tem uma frase que diz que texto, fora de contexto, é só um pretexto. No caso dos comentários dos meus leitores, sempre é um pretexto para a imaginação e o riso.

Sem voltar nos originais, leia a minha seleção das melhores frases de Julho :


Minha cabeça de cebola e meus dentes de alho amanheceram doendo

...descascador de pinhao: uau!!

Humm!!!!! chama os cachorros!

Sou como tiete que quando não notado submundo-me .

...não importa se revista, jornal ou um pote de shampoo...

..usavamos aqueles equipos odontológicos dos tempos de Luis XIV.

...lá molhávamos nossa caneta para fazermos lindas letras góticas.

Não quero ser melhor que as demais, mas tenho até um tamanquinho cor-de rosa.

...pensei que fosse alguém da família do mosquito da dengue, numa versão mais light...

...quando estico tem que ser devagar.

quando meu marido não está no bar (...) eu estou no computador...

...se tive problemas de memória não me lembro, lógico...

...comi com o tal vinho reservado que vomitei...

...melhor esconder seus filhos....

... estou vendo que somos paragonabiles em nossas confabulações!

Depois de emorir a sôbola dama, o que foi que você fez com a dita cuja?

...me lembrei do meu pai qdo falava dos boçais, que, assustadoramente, aumentavam em indices geométricos...

O desagradável em seres como esses é que são gelados!

...teriam uma linda lua de mel em Foz do Iguaçu com aroma de perfumes franceses falsificados.

Essa pururuca está olhando para mim.

agora preciso alimentar meu ganso mutante...

...estou me sentindo uma pata, por que? :)))

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Salada especial

Eu admito que já cometi várias barbaridades na cozinha. Algumas eu já contei por aqui , mas ainda não cheguei à perfeição do chef britânico Antony Worrall Thompson - desastre desse calibre, só mesmo cometido por um profissional.

E não é qualquer profissional, o homem que faz programas de televisão deu uma entrevista para a revista Healthy & Organic Living que foi obrigada a colocar uma errata na página de entrada do seu site avisando que a "plantinha" que o cara sugeriu colocar nas saladas além de alucinógena (que poderia ser um atrativo para alguns), pode ser letal.

Worrall sugeriu em entrevista acrescentar folhas de meimendro-negro (Hyoscyamus niger) às saladas para torná-las mais interessantes com plantas silvestres. Os leitores ainda estão tentando descobrir "interessantes" para quem.

Depois dizem que salada só faz bem e que alimentação natureba e orgânica é o supra-sumo.

Alguns já começaram a procurar as folhas pelos bosques ingleses para oferecer jantares aos seus desafetos.

Casais em crise conjugal deixaram de jantar juntos, ninguém mais acredita que aquele verdinho no cordeiro é uma inofensiva salsinha.

Muitas sogras abandonaram o hábito de filar a bóia na casa dos genros gourmet.

Aquela confraria de cordiais amigos (que na verdade se odeiam de inveja uns dos outros) suspendeu suas reuniões até que o assunto seja esquecido.

Não se tem ainda a confirmação, mas alguns grupos brasileiros de artistas, adeptos de uma plantinha loucona, estão pensando em lançar um novo grupo dedicado à ingestão de saladinhas de meimendro, mesmo porque, dizem, não aguentam mais essa história de só tomar chá.

E, claro, os telespectadores do programa de Worrall acharam por bem mudar de canal na hora do almoço.

Enquanto isso todos os dias o desastrado chef, ao levantar, repete trinta vezes para o espelho Chenopodium album...Chenopodium album...Chenopodium album ( a ançarinha-branca que ele deveria ter citado no lugar da planta venenosa.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Contículo solecista

"Eu sou — me disse — aquele anacronismo,
Que a vil caterva de sulfúreos ódios
Nas trevas sepultei de um solecismo..."
(Bernardo Guimarães)

Cheguei no bar quando anoitecia. Haviam muitas pessoas no local quando o pessoal saíram para assistir um filme e pudemos conversar em paz.

- Preciso falar com você.

Foi João que avisou-me sobre Anabela :

- Me parece que ela ficou contente com seu flerte
Eu, me fazendo de tolo, não respondi-lhe nada do que me perguntou, mas não resisti ao comentário:

- Me diga a verdade, rapaz, faz três anos que eu não cortejo a nenhuma garota...

- Ela estava namorando com o André. Me parece que não deu certo.

- Eu sei, ele aspirava o casamento, e ela visava outros objetivos...

- Ele é um homem grande, mas esses rapazes infeliz não aproveitam bem a vida.

- Me empresta a caneta, por favor ?

- Para que ?

- A gente precisamos de sua ajuda.

- Para marcar um encontro ?

- Não, para colocar essa placa lá fora : aluga-se conjuntos comerciais

- E a Anabela ?

- Já me esqueci. Tu fostes o único a saber da história.

Eu lhe abracei e a gente fomos embora.

Solecismo: consiste em desviar-se da norma culta na construção sintática.

sábado, 2 de agosto de 2008

Aforismos desaforados

Velhos lobos não se disfarçam de cordeiros, mas fingem-se de mortos antes do bote

O índice de atropelamento na supervia da informação cresce em números assustadores.

Jovens e adolescentes negam a existência de espaço e tempo na frente de um computador

Vão-se os papéis, ficam os dados

Se a voz do povo fosse a voz de Deus já teríamos ensurdecido.

Algumas pessoas acreditam em políticos. Ilusão por ilusão, eu acho o Papai Noel mais simpático.

Nenhum amor resiste ao conflito de cosmogonias.

As novas tecnologias ainda não conseguem esconder velhos vícios.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

As peruas dos Backyardigans

Ah as férias de julho... sempre me trazem boas recordações. Bons tempos aqueles em que eu podia me esquecer de qualquer obrigação.

Ah as férias de julho... agora como pai, com duas crianças cheias de energia em casa, tenho de inventar algum tipo de programa para que nenhuma das partes (pais ou filhos) enlouqueça.

Infelizmente não dá para escapar um mês todo, como faço no verão (meu tipo de trabalho ainda permite essas coisas, pois nada acontece em Janeiro), então sobram algumas fugidas rápidas de 4 ou 5 dias cada...e mais vinte e poucos dias tentando inventar atividades.

Tente imaginar o que é ir a um show dos Backyardigans numa sexta feira à tarde no Credicard Hall em São Paulo...nada contra o show, que até estava divertido, mas o público....

Nesse local, nesse horário, só mesmo quem estava desocupado (ou fugiu do trabalho como eu), a saber : um monte de crianças com idades variando de zero a doze anos, muitos avôs e avós, uma multidão de babás parecendo um corpo de paramédicos (porque babá tem de usar uniforme branco ?) e mamães que não trabalham fora.

Também não tenho nada pessoal contra mulheres que se dedicam a ser mães, mas precisam ir num show infantil como se estivessem posando para a revista de fofocas ou badalando numa casa noturna ? E, claro, fotografando e se deixando fotografar com I-phones.

A peruagem era absoluta, com todos os aspectos ridículos inerentes ao fato. Roupas glamourosas e brilhantes, pernas em exposição, bastante silicone em busca de liberdade.

Tudo isso para enfrentar o alce da neblina, ultrapassar o guardião do portão que nunca se abre e atravessar o pântano fedorento e, finalmente, entregar a mensagem da rainha Tasha ao rei Austin e obter seu título de cavaleiro da Ordem do Fundo do Quintal.

Foi inevitável a minha comparação com outro show infantil que fui no ano passado. Como era um sábado à tarde, o público tinha uma presença de pais e mães razoavelmente comuns.

No próximo, escolho melhor o dia do espetáculo.