quinta-feira, 31 de julho de 2008

De um almoço


Quando amor e paixão se encontram
Desencontram mente e coração
Magma lambendo a imensidão.

Caminhando rumo ao infinito
Alma doce, corpo brasas da paixão
Quando se encontrarão ?

Olhos verdes brilham rubros lábios
Universo de corpos em ebulição
Luxúria virando aflição.

O que não se pode contar segue
Olhares, toques, beijos e emoção
Na expectativa da continuação.

Quando os sonhos se encontram
Desencontram prazer e sedução
Se trançam e se lançam

No coração.

Breve introdução à Internet

URL é a sigla para Única Riqueza Livre, equivale ao valor que se esperava obter da Internet, no conceito de seu criador, Ruy Barbosa. No entanto o encilhamento promovido pelo mesmo provocou uma bolha que estourou durante o governo de Deodoro da Fonseca e só foi absorvida mais tarde após a saída da AOL do Brasil.

Quando o águia de Haia debatia, nas mais diversas línguas, os seus conceitos de internacionalização, foi que teve a idéia de criar a Internet. Acabamos nem sabendo muito a respeito da sua real contribuição ao concerto das nações, porque ele estava distraido com sua nova idéia e não documentou os seus discursos. De qualquer forma, imaginou que toda as estruturas de governo poderiam ser divididas em três domínios (mais tarde conhecidos como PontoCom, PontoNet e PontoOrg).

Durante discussões constitucionais defrontou-se com a falta de uma página dos seus manuscritos - a 404. Daí convencionou-se o código de página não encontrada. Na 403 existia um bilhete de sua amante, o que fez com que a mesma acabasse sendo uma página proibida.

O problema de Ruy Barbosa é que ele não tinha muita familiaridade com computadores. Talvez pelo fato de que ainda não tinham sido inventados. Na sua concepção original a Internet seria operada por uma revoada de gansos puxando uma carruagem cheia de livros e entoando a ária de Dó em semínimas. Daí o surgimento dos dó-semínimos que a língua reduzida da nova ferramenta abreviou para dómínios (não se esqueçam que Barbosa era bahiano).

HTML, a linguagem mais popular da rede, quer dizer "Hoje tem mais lentidão". Quando surgiu, a esperança é de que fosse possível se adotar uma língua comum (um tipo de esperanto digital) e que a ária em dó semínimo pudesse ser entoada usando versos nessa nova semântica. O problema foi tentar ensiná-la aos gansos que acabavam voando mais vagarosamente, pois tinham dificuldade em interpretar os caracteres ciríacos em que era escrita.

HTTP foi uma sigla criada nos laboratórios de criação dos gansos e queria dizer Holística de Treinamento Total de Patos. Um projeto secreto que visava substituir os gansos por patos e deixar os primeiros dedicados exclusivamente à produção de patês de fígado - idéia dos opositores da campanha civilista de Ruy Barbosa. Como a idéia não vingou, os especialistas negam sua existência até os dias de hoje.

Mas é verdade, tanto que apenas a suspeita de que os gansos seriam destronados da carruagem levou Barbosa ao exílio em Londres, onde escreveu a sua famosa máxima sobre a sua Internet : "Ganso é que nasci, ganso é que eu sou, de ganso não me hão de livrar enquanto houver linhas discadas, e a avicultura for livre (...)"

Na próxima aula explicaremos o que vem a ser WWW, PHP e XML, assim como a campanha abolicionista influenciou os desenvolvedores de Flash.

E não deixem de se matricular no curso avançado onde será explicado como os gansos, em sua rota migratória da Bessarábia para o Timor Leste, sofreram mutações genéticas que deram origem aos Blogs.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

O amor: forte como ferro e duro como pedra

Para a Valéria Llacer que deu o mote


O primeiro amor de Erika La Tour Eiffel, de 37 anos, foi pelo Arco do Triunfo. Teve um casinho com o muro de Berlim, mas acabou por se casar com a Torre Eiffel.

Por mais que você ache que isso é um delírio meu, posso provar que não é. Deu no Diário de Portugal. E ainda explicam que ela não é a única com esse tipo de fetiche que só afeta mulheres.

Fiquei imaginando se a moda pega por aqui o que aconteceria - num país que roubam os óculos da estátua do Drummond, o que é que falta acontecer ?

Mariana convida para a sua cerimônia de casamento, no próximo sábado, o feliz nubente é o Borba Gato...

Depois de ser abandonada pelo soldado desconhecido, Anacleta comemora seu noivado com o Laçador

Joana declarou aos pais que está apaixonada pelo monumento aos Bandeirantes. Os genitores suspeitam de ninfomania.

Renata, só para provar que é uma moça moderninha, está tendo um caso com a ponte Estaiada

Júlia garante que seu romance com o Túnel Rebouças passa por momentos de congestionamento.

O Cristo Redentor declarou aos repórteres de Caras que manterá seu celibato apesar das inúmeras investidas que vêm sofrendo.

Numa cerimônia cercada de ritualismo, Maria da Penha, née Silva, tornou-se a nova Sra Elevador Lacerda .

Dizem as más línguas que Anita está envolvida num triângulo amoroso com a Praça dos Três Poderes, ainda que seu coração penda mais para um romance executivo.

Clara garante que, apesar da diferença de idade, seu marido, o Obelisco, não toma Viagra para se manter em sua atual forma.

Realmente, insanidade é uma coisa que não conhece limites.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Cozinha de fazenda

A culinária brasileira é tão variada quanto a própria diversidade do País. A mistura de influências regionais e estrangeiras, pratos, maneiras de preparo, aromas e paladares é brutal ou seja, há todo o tipo de cozinha, para todos os gostos. Dentre esta grande diversidade culinária, existe a que é conhecida como cozinha de fazenda, do interior ou rural. Mesmo assim, não podemos afirmar que é um tipo único de culinária, com determinados pratos, pois a grande extensão do Brasil produz grandes variedades dentro de vários temas.

Ao contrário do que se possa imaginar, a cozinha de fazenda não é tão simples quanto parece. Ainda que os pratos, algumas vezes, sejam limitados quanto à quantidade de ingredientes, a produção de cada um deles envolve uma série de truques e segredos que só são passados como segredos de uma geração para outra. Fazer uma mandioca frita pode soar banal - descascar, cozinhar, fritar - mas como é que se chega naquele ponto em que cada pedaço está crocante por fora e macio por dentro ? Além disso, alguns resultados, acredito, só conseguem ser obtidos com o bom e velho fogão de lenha.

As receitas preparadas nas diversas regiões do Brasil variam, mas existem alguns pratos de fama nacional, como as tradicionais feijoadas mineiras, farofas preparadas de muitas maneiras diferentes, o tutu de feijão, arroz carreteiro, o churrasco gaúcho, etc. Não podemos deixar de mencionar os mais deliciosos doces feitos no interior, como o doce de leite, a goiabada, marmelada, pães doces, pudins de leite, de pão, além dos queijos deliciosos feitos artesanalmente nas fazendas e sítios e muito mais.

Passei alguns dias na Fazenda Capoava que fica entre Cabreúva e Itu. Cada refeição era uma boa surpresa, fosse de pratos tipicamente interioranos (o leitão pururuca merecia ser comido de joelhos), fosse de algumas invenções do chef usando os ingredientes caipiras (como um carpaccio de manga com um molho a base de aceto balsâmico). Não cai de boca nos doces, porque não são o meu forte, mas tenho de admitir que o doce de figo verde me lembrou o da minha avó.

A carta de vinhos do hotel só tem produtos nacionais. Escolhidos a dedo. Bebi o Malbec e o Cabernet Sauvignon do Don Laurindo. Minha última experiência com um vinho nacional desconhecido foi desastrosa (depois eu conto) e achei melhor não estragar meus jantares.

Mas nem tudo é perfeito. Achei o pão de queijo muito salgado (e estava salgado todos os dias, ou seja, não foi um erro extemporâneo), a cocada estava quase líquida e doce demais (ou, como diria a minha mesma avó : "como assim, você quer um doce que não seja muito doce ?!?")

Outro fato que constatei, reforçando minhas convicções vigostkyanas, é de que se você é bom em alguma coisa, não invente moda. Um almoço foi dedicado a massas (tirando um bom capeletti ao molho de alho poró, o restante estava apenas medíocre) e um jantar teve como tema a culinária árabe - não sei o que foi mais difícil de engolir : a comida ou a apresentação de uma trupe de dança do ventre...

Minha conclusão é que os melhores dias para se comer no local são os dias de semana, quando a cozinha se dedica ao que de fato ela é - uma excepcional culinária de fazenda. Quando querem fazer programa para turistas...viram apenas um restaurante de turistas.

Valeu a despedida no domingo (que está na foto): leitão pururuca, pintado na brasa, farofa de milho, carne seca, mandioca e banana frita....

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Homicidio doloso de analogias

Tema : Como agulha no palheiro

Variações :

Como milho no terreiro

Qual formiga no espinheiro

Poeira em despenhadeiro

Um segundo, dia inteiro

Como anel no atoleiro

Um segundo em dia inteiro

Como gota no aguaceiro

Para conhecer outros assassinatos, clique aqui

Mostro a cobra e não mato nada

Eu nunca fiz o gênero aventureiro. Pelo menos não daqueles que saem desbravando territórios perigosos ou me metendo em aventuras radicais.

Na minha infância não chegava a fugir das brincadeiras mais arriscadas, mas também não liderava nenhuma delas. Pulei muros, entrei em matagais, escalei telhados e forros de casas. Mas era apenas mais um na turma.

Minha fase mais radical, com certeza, foi a do exército. Até hoje olho algumas fotos de exercícios e tento me lembrar como é que eu fiz aquelas coisas (sim, eu sei, manda quem pode e obedece quem tem juízo...e eu tinha juízo). Escalei paredões, fiz rappel, me pendurei em cordas sobre lagos enquanto um sádico tenente ficava jogando granadas de efeito moral na água (aquelas que não soltam estilhaços mas provocam fortes deslocamentos de ar) até a gente cair, me enfiei em túneis cheios de gás lacrimogêneo e desarmei minas e explosivos várias vezes.

Depois desse tempo, nunca mais fiz essas besteiras.

É verdade que eu sempre gostei de passeios, digamos, diferentes, mas dentro de uma certa dose de civilidade. Andar de barco pelo Tocantins (e estou falando de toque-toque, não de lanchas chiques), montar em búfalos em Marajó, caçar jacarés no Paranapanema (não xinguem, eram tempos pouco ecológicos, e a carne do jacaré era uma delícia).

Também gosto de maltratar meus carros. Nunca tive jipes ou esses 4x4 moderninhos, mas já me meti em vários buracos. Acho que o mais fundo foi o do canyon da Fortaleza com um pobre Kadett que tinha menos de 6 meses de vida.

Até ter filhos. Isso sim uma aventura radical.

Não que eu precise fazer demonstrações de heroísmo, mas eles precisam de alguém que os acompanhe em algumas das aventuras, pelo menos por enquanto. Entro em cavernas, faço trilhas à cavalo e até vou junto na tirolesa.

E, claro, dei de brincar com uns bichinhos. O mais recente é esse aí da foto. Não se preocupem, é apenas uma jibóia (Boa constrictor constrictor), não é venenosa, apenas aperta um pouquinho e, no caso desta, raspava um pouco pois estava trocando de pele, que estava bem áspera. Nem chega ao tamanho de uma sucuri. A brincadeira também incluiu uma iguana, um sapo, uma rã e outros seres menos assustadores.

Não matei a cobra. Por isso só mostro a foto.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Fidelidade a que, cara pálida ?

Tudo bem, eu sou um cara que trabalha em marketing. E trabalho com database marketing, CRM, marketing de relacionamento e todos os outros nomes que consultores que queriam vender livros e palestras inventaram para o marketing direto. Mas existem ações de algumas empresas que nem São Kotler explica.

Um dos modelos de marketing de relacionamento é chamado de modelo de recompensa, ou seja, o cliente compra e ganha algo em troca, geralmente pontos que usa para trocar por produtos próprios da empresa ou por uma gama de presentes expostos num catálogo de prêmios.
Provavelmente é o modelo mais usado em todo o mundo, desde o tempo que a Hi-Fi dava cupons para quem comprava LP´s - 10 cupons valiam um disco grátis... (se você lembrou disso é porque já passou dos 40)

Os primeiros programas de pontuação foram criados pelas companhias áreas americanas, oficialmente aterrisaram no Brasil com a defunta Pan Am (na época nem a American nem a United voavam para o Brasil), daí o nome de programas de milhagem. Depois se alastraram por todos os segmentos de mercado, inclusive naqueles onde não faz o menor sentido usá-los - para quem não é do ramo, programas de recompensa só fazem sentido para produtos que tenham margens razoáveis e que sejam de compra repetida - já imaginou um programa de milhagem de construtora ou imobiliária ? Inviável, mas eu já vi.

Os programas de recompensa, assim como os demais modelos de relacionamento, tem como objetivo conquistar a fidelidade dos seus clientes (ou, pelo menos, garantir que a maior parte do consumo de um cliente, numa determinada categoria de produtos, seja feita com aquela marca), daí adotarem o nome de programas de fidelidade.

E quem é fiel ? Não, não precisa me responder em público, nem em particular. Detesto invadir a privacidade das pessoas. Fidelidade significa lealdade; firmeza; afeição dedicada e constante; probidade escrupulosa; honestidade... se eu deixar de comprar Coca Cola e começar a tomar Guaraná, estarei sendo desonesto ? Posso ser acusado de improbidade por preferir um vôo da Gol que tem um horário melhor que o da TAM ?

Todo esse pernóstico intróito foi só para contar uma descoberta fabulosa. Procurando exemplos de programas de fidelidade no Google, para preparar as aulas que dou de marketing direto, encontrei um "Programa de Fidelidade de Motel" - se você mora em Belo Horizonte e estiver interessado, veja aqui como funciona.

Motel, que eu saiba, não é exatamente um espaço onde a prática da fidelidade seja uma norma, então me ajude a desvendar algumas dúvidas do programa :

a) Será que o programa só conta pontos se o usuário for sempre com a mesma pessoa ?

b) Ser casado(a), invalida a promoção ? Mesmo que o(a) amante seja o(a) mesmo(a) ?

c) A taxa de sucesso efetivo afeta o acúmulo de pontos ?

d) O motel manda extrato de pontos por mala direta para a casa do usuário ? Ou é um fidelidade virtual (peço ajuda aos universitários digitais) ?

e) Os clientes ganham pontos adicionais por indicar amigos - vale um member-get-member ? (sem trocadilhos de mau gosto, please...)

f) os clientes fiéis podem ser usados para testemunhais de propaganda ou assessoria de imprensa ?

Em tempo, ao procurar uma imagem para ilustrar esse post descobri que existem dezenas de programas de fidelidade de motéis... e depois o insano sou eu.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

A mulher que falava sânscrito

Ele poderia ter se apaixonado por qualquer motivo. Ela era bonita, agradável, seus olhos negros tinham um brilho todo especial. Também era inteligente, gostava de muitas das mesmas coisas que ele e o papo sempre fluia bem.

Mas não foi nada disso, mesmo porque mulheres bonitas e interessantes ele já havia conhecido muitas, e nunca tinha dado o clique.

Até o dia em que, num papo à toa, durante um jantar, ela contou que estava estudando sânscrito.

- Meu Deus - pensou ele - que tipo de mulher estuda sânscrito ? Onde mais no mundo vou encontrar alguém capaz de desvendar os mistérios profundos dos vedas ancestrais ?

- संस्कृत ?? Ele falou, olhando atônito para ela

- -भ्याम् -औ. Ela respondeu sem piscar...

Tinha finalmente encontrado a mulher da sua vida. Aquele amor que só acontece uma vez.

Com ela poderia discutir as declinações em modos optativos e derivativos, sem precisar de nenhum imperativo dual.

Com ela poderia viajar pelos prazeres tântricos e neotântricos que nenhuma de suas namoradas jamais tinha entendido.

Estava tudo perfeito, até o momento em que ele a pediu em casamento e disse :

- Vamos fazer um cerimônia toda em sânscrito clássico...

- Védico - ela respondeu, eu prefiro o sânscrito védico, acho o clássico uma corrupção desnecessária do devanagari

- Mas o védico era apenas uma proto linguagem, não faz mais sentido se usar o Rigveda...

Um silêncio meditativo pairou na mesa.

Beberam um café. Ele pagou a conta. Deixou-a em casa. E nunca mais se viram.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Utilidade pública - uso de microscópios/telescópios

Notícia fornecida pela Agência Insana de Factóides Obtusos

Os microscópios foram criados no final do século 15, mais ou menos na mesma época dos primeiros experimentos com os telescópios. Da mesma forma que um telescópio aproxima os distantes o microscópio distância os próximos (ou será o contrário?).

Ambos provocam uma leve sucção na pupila, quando da aproximação do olho à lente, e distorcem as imagens da forma como elas seriam vistas a olho nu (exceto com os mais pudicos que geralmente preferem usar óculos escuros pois acham isso uma depravação). A sucção provoca uma imagem no fundo central do olho que toma praticamente todo globo ocular.

No momento em que a pessoa afasta o olho da lente, a distorção sofre uma reversão. Isso demonstra que o usuário desse aparelho precisa alinhar o centro da íris exatamente acima da abertura do microscópio para conseguir enxergar alguma coisa.

O fator de distorção costuma constar do manual de instruções e, caso o usuário desalinhe o olho, pode sofrer algum tipo de irritação e até mesmo a perda de visão do objeto que tenta observar. Ainda não foram suficientemente pesquisadas as interações patogênicas do uso alternado de micros e teles Cópios. De qualquer forma sugere-se precaução no uso dos aparelhos por gestantes.

Quanto mais claro for o objeto maior o grau de distorção, por isso recomenda-se não usar o telescópio para observação do sol. A intensidade de luz solar pode fazer com os olhos saltem das órbitas e fiquem permanentemente danificados.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

A anta. O anta.

A anta ou tapir (Tapirus terrestris), maior mamífero da América do Sul, é no entanto muito menor que seus parentes da África e da Ásia. O seu correspondente dentre os humanóides, O anta, por outro lado, tem quase sempre o mesmo tamanho em qualquer continente, ainda que a variedade de antices que perpetrem possam variar de micra a milhas.

A anta tem três dedos nos pés traseiros e um adicional, bem menor, nos dianteiros. O anta costuma ter o mesmo número de dátilos em todas as patas, o que não significa que saiba usá-los de forma coordenada ou lógica. Um anta típico costuma usar as patas dianteiras em digitação de textos aborrecidos e que desafiam o bom senso.

A anta tem uma tromba flexível, preênsil e com pêlos que sente cheiros e umidade. Vive perto de florestas úmidas e rios: toma freqüentemente banhos de água e lama para se livrar de carrapatos, moscas e outros parasitas. O anta costuma fazer tromba quando contrariado na sua irracionalidade. Vive praticamente em qualquer habitat e não se livra de parasitas, até porque ele mesmo costuma ser um.

Herbívora, a anta, come folhas, frutos, brotos, ramos, plantas aquáticas, grama e pasta até em plantações de cana-de-açúcar, arroz, milho, cacau e melão. O anta geralmente não come nada do que as pessoas que o acompanham desejam e ainda fica fazendo comentários sobre a qualidade nutritiva dos pratos de outrém, geralmente a partir de e-mails apócrifos que recebeu e redistribuiu para todos os seus conhecidos.

De hábitos noturnos, a anta esconde-se de dia na mata, saindo à noite para pastar. O anta tem hábitos dioturnos e parece que nunca para para descansar e nunca deixa de fazer com que os outros pastem com a sua presença.

A anta é um animal de hábitos solitários, são encontrados juntos apenas durante o acasalamento e a amamentação. A fêmea tem geralmente apenas um filhote, e o casal se separa logo após o acasalamento. O anta é gregário e pegajoso, sempre tenta aborrecer o maior número de pessoas possível. Infelizmente costumam acasalar com outros da mesma espécie, perpetuando uma variedade animal que gostarísmos que estivesse extinta.

Os machos da anta marcam território urinando sempre no mesmo lugar. Além disso, a anta tem glândulas faciais que deixam rastro. Os antas costumam comentar sobre os seus hábitos urinários e suas visitas ao proctologista, como se o assunto fosse de interesse público. Marcam o seu terrítório de forma inequívoca, especialmente em escritórios onde o seu rastro é percebido a grandes distâncias.

Quando ameaçada, a anta mergulha na água ou se esconde na mata. Ao galopar derruba pequenas árvores, fazendo muito barulho. Nada bem, e sobe com eficiência terrenos íngremes. Já o anta, quando sente-se em perigo, apela para a ignorância e tenta desqualificar o seu oponente, já que não consegue contestar suas idéias. Ao fazer isso, derruba a ética, o senso-comum e, não poucas vezes, a moral e os bons costumes.

A anta emite vários sons: o assobio com que o macho atrai a fêmea na época do acasalamento, o guincho estridente que indica medo ou dor, bufa mostrando agressão e produz estalidos. O anta também costuma assobiar para fêmeas, provocando repulsão, exceto quando são fêmeas d´O anta. Geme incomodamente para demonstrar dores que não sente, bufa sempre que contrariado e, além de estalidos, adora fazer barulhos repetitivos que incomodem os circunstantes.

Eu só costumo encontrar a anta quando vou ao zoológico (o exemplar acima é do Zoo de São Paulo). Já espécimes de O anta tenho encontrado todos os dias. Ai meus sais...

domingo, 20 de julho de 2008

Atendendo a pedidos

Depois de muitos anos sem participar de competições (ou participando e não ganhando nada), esse ano já fui contemplado com dois troféus.

O primeiro foi um Prêmio Abemd, concorri pela primeira vez e, junto com a Gestão Mais num trabalho para a Foot Company, ganhamos ouro.


O outro foi minha vitória num torneio de arco-e-flecha do Rádio Hotel de Serra Negra, que já contei aqui. Vitória que, se não fosse pela presença da Andréia na premiação, teria sido desacreditada por muitos.


Para que a foto ficasse completa, não deixei de colocar meu capacete de penacho, recebido por ter sido nomeado Cavaleiro Violeta da Ordem do Fundo do Nosso Quintal. Honraria concedida exclusivamente a pais que levam os filhos no show dos Backyardigans



Na mão direita o troféu de arco-e-flecha, na esquerda o prêmio Abemd (que, coincidentemente, também é uma flecha...ando bem de alvos) e na cabeça meu capacete de cavaleiro.

sábado, 19 de julho de 2008

Outros ditados impopulares

Dedicado especialmente aquelas pessoas que não gostam de aparentar vulgaridade, abaixo mais uma série de ditados impopulares. Se quiser conhecer os anteriores, clique aqui.

Óxido dihidrogenado brando em calhau rijo tanto baqueia até que solapa.

Líquidos incolores decorridos não instigam azenhas.

Frugal é desdenhar canino fenecido.

Canídeo anoso não capta cavilação neológica.

Solípede outorgado não se pondera os mordedores.

Em covil de ferrageiro toda haste é lenhosa.

Larápio que despoja patife garante século de remissão.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Contículo arcaico

Sob a inspiração das narrativas dos romances populares portugueses dos séculos X a XVI, Guilherme de Almeida publicou em 1957 um livrinho de poemas chamado "Pequeno Romanceiro" (meu exemplar é da 1a edição - exemplar 815 de um total de 1200 impressos - Livraria Martins Editora, impresso nas Oficinas de Artes Gráficas Bisordi), além dos poemas serem muito bons, ele faz um exercício filológico arcaizante, restaurando vocábulos caducos e belos. Aqui segue o meu exercício insano de brincar com algumas dessas preciosidades.

Debaixo do alfabar de lhama, Inês e Afonso sembravam amantes esguardando as nuvens. Afonso filhava as mãos de alambre.

Inês, de bofé, algumas vezes alongava, outras voltava sua companha mitigando as coitas.

Mestre da altanaria, ele soltara seu francelho que num rauso a buscara quando mal aluzecia. De praz e grado ela que rondava alhur levou-se e se deixou colgadiça em seus braços. Nenhum outro al lha seduzia como ele.

Um dia a mala-aventura, sem doo, interrompeu o amor e recobrou o chanto. Ele não mais aficava nos dons de Inês e leixou-se dela, trebelhando sôbola a dama esmorida.

Ela, catando pelas frestas esperando sobressinais ou o luzir das brafoneiras. esperava por aquel que a amava sobre o eixamete. Nada aveo.

Des assentou-se na seeda de guarnacha e se cumpriu de rem, nem um tal se aproximava. Sobre rengos e balaos correram as lágrimas mentres o sangue derramado.

arcaísmo: consiste na utilização de palavras que já caíram em desuso.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Trair e cantar, é só começar

Mona Lisa

Mona lisa, mona lisa te chamaram
Como a dama do sorriso de enigma
É por tua solidão que te culparam ?
Ou foi apenas uma forma de estigma ?

É assim que tu seduzes, mona lisa?
Ou só jeito de esconder desilusão?
Sonhos chegam, sonhos vêm à soleira
Para lá deitar e sucumbir em vão.

És real, és calor, mona lisa ?
Ou mulher fria e solitária zombeteira ?

Se quiser ouvir e ver a gravação clássica de Nat King Cole basta clicar aqui.

Mona Lisa
Jay Livingston and Ray Evans

Mona lisa, mona lisa, men have named you
Youre so like the lady with the mystic smile
Is it only cause youre lonely they have blamed you?
For that mona lisa strangeness in your smile?

Do you smile to tempt a lover, mona lisa?
Or is this your way to hide a broken heart?
Many dreams have been brought to your doorstep
They just lie there and they die there.

Are you warm, are you real, mona lisa?
Or just a cold and lonely lovely work of art?

A la Maiakovski


Vivia nebulosa
Anelante violeta
Viajava na neblina
Vivificante

Zíngara negada
Anexando visões
Vinho enebriante
Anestesiante

Necessária vizinha
Néctar invisível
Vínculo vibrante
Amante.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Notícias científicas - Horário de Verão

Fornecidas pela Agência Insana de Factóides Obtusos (AIFO)

O horário de verão aumenta a quantidade total de luz solar que recebemos durante o dia, por um período equivalente a um verão, mas que é determinado por decreto presidencial todos os anos, o que não deixa de ser mais um sinal de que o aparelhamento do Estado pretende controlar também as estações do ano.

O excesso de uso do horário de verão já foi responsável por várias catástrofes ambientais, dentre as mais famosas estão a transformação da área amazônica do Atacama em uma região um tanto quanto árida e famosa ventania de poeira cristalina ocorrida no sertão de Cabrobró, logo no primeiro ano de aplicação de tal medida.

Atualmente, essa hora adicional de sol é, de longe, a maior responsável pelo aquecimento global e, caso não seja descartada no futuro, estima-se que o planeta terá um derretimento global por volta de 2030.

terça-feira, 15 de julho de 2008

A serra é apetitosa

O mundo gourmet serranegrense (ou será serranegrino ? serranegrente ??) não se resume a churrascos e comidas caipiras. Muito menos pode ser definido pela infinidade de restaurante por kilo existente ao lado da avenida do comércio onde, aos domingos e feriados pululam seres ávidos de usar seus cartões de crédito nas lojas de malhas e couros. É quase uma 25 de Março com água mineral radioativa.

Pela indicação do meu bom e velho guia, cujo nome omitirei aqui já que o Lou Mello achou que eu estava fazendo propaganda gratuita do mesmo, fomos a um restaurante português comer bacalhau. Aliás um Senhor Bacalhau ! Dessalgado, assado com muito alho em fatias, rodeado de batatas e brócolis. Só para deixar vocês com água na boca, tirei uma foto do bichinho antes. Depois só sobraram alguns poucos espinhos.
Nos dias seguintes nos aventuramos no que chamam por lá de "Turismo Rural", ou seja, visitar umas fazendas que são abertas ao público numa mistura de visita didática e venda de produtos locais.

A primeira foi o Sítio Chapadão, produtor de café e de queijos. Depois de passarmos pela ordenha, naquele dia manual pois estavam sem energia elétrica, e pelo processo de lavagem, secagem e ensacamento de café, fomos apresentados aos 25 tipos de queijos feitos a partir do leite de gado Holandês e Jersey. Tudo muito caseiro. O dono do sítio estava arrastando o café para secagem e a sua mulher comanda a produção dos queijos.
Depois do Chapadão fomos ao Vale do Ouro Verde. Que tem uma pousada, um pesqueiro, uma imensa plantação de café e o melhor empório de produtos. Tem também uma salinha que eles denominam museu do café, que não chega a emocionar. Ao contrário do Chapadão não tinha nenhum guia para apresentar a fazenda. Uma pena. Por outro lado o café realmente era dos melhores e acabei fazendo um pequeno estoque.

As fazendas também costumam produzir suas cachaças. Não experimentei nenhuma, nunca gostei da bebida, então não vou falar a respeito.

O toque final foi de frutas. No sábado fomos a megalópole de Monte Alegre do Sul (a 10 km de Serra Negra), onde residem cerca de 5 mil almas, sendo apenas um terço na zona urbana. É a principal produtora de fragarias octoplóides e onde ocorria a 15a Festa do Morango.

A festa em si me lembrou muito aqueles filmes americanos dos anos 50 que se passam em feiras agropecuárias (só o State Fair foi filmado 3 vezes). Barracas de tudo que se possa imaginar feito de morango, shows de músicos regionais e bandinhas e, claro, uma parque de diversões. As crianças adoraram. Letícia comeu um biscoito de chocolate recheado de morango e chantilly e o Samuel, na sua postura tradicionalmente saudável, bebeu um balde de suco de morango. Eu preferi a fruta in natura mesmo (imensas e muito doces)

Graças à ginástica diária de alpinismo no hotel (vide o texto abaixo), não engordamos alguns quilos nesses 5 dias, mas voltamos com boas lembranças na memória gustativa.

O porta malas do carro ainda guarda um misto de perfumes de queijos, café e morangos frescos.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Aventuras em Sherwood

Passei uns dias em Sherwood, quero dizer, Serra Negra na semana passada, num daqueles hotéis cheios de atividades, especialmente para as crianças (motivo óbvio de escolha do hotel). O programa de todas as manhãs era de atividades esportivas, com um detalhe, para chegar na área de esportes subia-se por uma trilha, algo equivalente a nove ou dez andares, o que, por si só, já era atividade física suficiente.

Chegando ao topo, não valia a pena descer, pois se precisasse pegar alguma criança antes do encerramento das atividades isso significaria outra escalada. Então ficava por lá mesmo fazendo alguma coisa. Primeiro experimentei um campo de mini golfe na grama (com tacos e bolas de golfe de verdade) mas, na primeira manhã, descobri um stand de arco e flecha e achei que poderia ser algo mais divertido. Exceto por exercícios de tiros com fuzis no meu tempo de exército, nunca tinha praticado nada parecido.

O stand não tinha a distãncia oficial, o alvo estava a cerca de 20 metros, quando o mínimo oficial é de 30 metros (em competições podem chegar até 90 metros, para homens e 70 metros, para mulheres), mas o equipamento (arco, flechas, alvos) eram todos de competição. O alvo de 80 cm de diâmetro, era dividido em 10 círculos, sendo 2 de cada cor (de fora para o centro : branco, preto, azul, vermelho e amarelo). A cada rodada atiravam-se 7 flechas.

Claro, a primeira tentativa foi absolutamente desastrosa, as três primeiras flechas passaram por cima do alvo diretamente para uma lona que ficava no fundo do stand (bem furada por sinal). Depois fui acertando a altura e, pelo menos, acertava dentro do alvo. Na última série já consegui até acertar o amarelo. Gostei da brincadeira.

No dia seguinte já consegui mandar todas as setas no alvo e o número de acertos no centro melhorou bastante. De cada sete flechas, acertava duas ou três no centro. O monitor que cuidava dos flecheiros avisou que no dia seguinte haveria um campeonato. Como seria de manhã, eu estaria por lá mesmo resolvi participar (o de golfe seria à tarde, quando saíamos para passear, o que foi um erro, pois só teve dois competidores e, no mínimo, teria ganho uma medalha de bronze).

Imaginei que eu teria uma chance remota, uma vez que só encontrei as mesmas outras três pessoas praticando nos dias anteriores.

A primeira surpresa ao chegar para o torneio é que havia 8 competidores (tudo bem, depois descobri que eram 7, pois um estava lá pela primeira vez mandando flechas na lona), a segunda é que no centro de cada alvo colocavam uma bexiga (que balançava com o vento). Cada atirador tinha direito a 4 setas por rodada, num total de 5 rodadas. Só não disseram qual era a regra de pontuação, exceto que o objetivo era de estourar as bolas bexiga.

Primeira rodada, acertei a bexiga na primeira flecha. Segunda rodada, idem. Na terceira rodada só consegui acertar na última flecha. Na quarta rodada consegui uma proeza, acertei as 4 flechas em torno da bola bexiga, que ficou presa no alvo, mas não estourou. Na última rodada acertei na segunda flecha. Dos meus oponentes, dois tinham furado todas as bexigas e mais um tinha acertado 4. Chamaram os três para uma rodada de desempate. Me considerei fora.

Acabou o desempate e deram os resultados. Eu fui o campeão - depois explicaram que a ordem de acerto valia mais pontos e, como tinha acertado duas na primeira, mesmo errando uma bola ainda fiz mais pontos que os demais.

De noite ganhei o meu troféu, que já está em cima do piano na minha sala, afinal, a última vez que ganhei algo em torneios tinha sido há 29 anos quando fui campeão e goleiro menos vazado de um campeonato de futebol de salão da federação de mocidades.

A partir de agora podem me chamar de Adiron Hood.

domingo, 13 de julho de 2008

Eu e o meu geriatra

Existem indicativos claros a respeito no nosso envelhecimento. Desde os aspectos físicos até os psico-metabólicos. Alguns sofrem de artrite, alguns insanos são vítimas de disfunção retrátil.

Eu comecei a notar o meu envelhecimento há alguns meses quando visitei o site da Polícia Federal, buscando informações sobre a renovação do meu passaporte. Descobri que maiores de 45 anos não precisam mais apresentar comprovante de serviço militar. Nem para dar uns tiricos de espigarda eu sirvo mais, quanto mais fazer uma carga de baioneta.

Essa notícia veio quase junto à minha entrada nada triunfante no reino dos oculizados, já escrevi aqui sobre isso.

Recentemente recebi o golpe de misericórdia.

Como tenho procurado resolver todas as minhas questões de serviços perto de casa (e evitar o trânsito caótico de São Paulo), perguntei à minha dermatologista (que atende num prédio em frente à minha casa) se ela tinha algum clínico geral para me indicar nas redondezas. Ela quase respondeu, mas notei que deu uma parada para pensar antes de continuar. Até que me fez a pergunta fatal :

"Você se incomodaria com o fato de que o clínico geral também é geriatra ?"

Pensei. Entre ir para o Itaim e ter de enfrentar a Faria Lima ou a 9 de Julho e ir num geriatra a um quarteirão e meio de casa, eu prefiro o geriatra.

O Dr Roberto, apesar dos cabelos brancos, aparenta ser mais jovem que eu (acho que é a primeira vez que tenho um médico mais novo que eu). Na minha primeira consulta senti um certo ar de curiosidade, tanto dele quanto da secretaria sobre o que eu estaria fazendo lá.

É verdade que existem algumas compensações, eu me sinto um bebê na sala de espera e que meus companheiros de leitura de revistas velhas sempre acham que eu estou lá esperando alguém sair da consulta ou esperando o médico para conversar sobre a saúde do meu avô.

No final, os grandes beneficiários dessa minha escolha médica serão os meus filhos. Eles nunca terão de passar pelo constrangimento de me dizer que está na hora de eu começar a ir num geriatra...

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Contículóides líricos

Ponto de vista
Ele a conheceu de baixo para cima. Olhava a varanda do andar de cima: pescoço branco, queixo afilado e lábios vermelhos que se projetavam. Apaixonou-se imediatamente e começou a ter delírios noturnos com aquela imagem. Mas não a reconheceu quando, pela primeira vez, se encontraram no elevador.

Conto de fadas
Loira, estatuta mediana, olhos claros. Era bonita, mas sem exageros. O conjunto a fazia objeto de desejo de todos os homens com quem trabalhava, ela sabia disso, mas fingia não perceber, para desespero de muitos. Até o dia em que um princípe desencantado desceu de um helicóptero, capturou-a e nunca mais foi vista.

Ébrio
A calça de cós baixo deixava a vista seu umbigo. E que umbigo ! Redondo, sem dobrinhas, perfeito - parecia ter sido desenhado por um pintor renascentista. Ele olhava fixamente e sonhava em beber um prémier cru da borgonha naquela taça. Para que ? Só a visão já lhe embriagava o suficiente.

Despedida
Enquanto o barco acabava de atracar, ela olhava para a terra. Sabia que o embarque era iminente, que o destino era querido e que a vida seria melhor com ele num país de montanhas. Mas como se convencer que nunca mais veria suas planícies intermináveis ?

Todas iguais a você
Nada poderia ser mais sedutor que ela em frente ao espelho. Ele a considerava ímpar e sua imagem em duplicidade parecia dobrar junto o amor. No dia em que a colocou entre dois espelhos gerando a visão de infinito sofreu um enfarte fulminante, obstrução das artérias por excesso de beleza.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Aula de biologia - a origem dos bebês

Existem muitas histórias a respeito da origem dos bebês. A mais clássica é a da cegonha que, no entanto, não explica onde é que elas pegam os bichinhos para trazê-los. Alguns povos anglo-saxões dizem que nascem em repolhos (o que talvez explique os fenômenos flatulentos dos pequenos). Segundo o pai do Calvin, os bebês são comprados no Wal Mart e montados em casa.

A lenda mais popular e mais aceita é a de que bebês nascem como resultado da cópula entre membros férteis de sexo oposto. A pesquisa moderna não confirma essa hipótese.

Estudos estatísticos mostram que a taxa de natalidade é inversamente proporcional à penetração de televisão nos lares de cada país. Quanto mais TVs menos bebês e versa-vice, o que demonstra que os aparelhos de televisão estão intimamente envolvidos no processo reprodutivo. Alguns estudiosos chegaram a vaticinar que com o evento da TV Digital a segunda derivada da taxa de natalidade tenderia a zero.

A primeira hipótese testada foi a de que as pessoas estariam copulando com os aparelhos ao invés de fazê-lo com o sexo oposto. Pesquisas demonstraram que esse fato efetivamente afetava a produção de bebês, mas não explicou as evidência coletadas durante os experimentos que apenas mostraram cientistas queimados e urros ininteligíveis que eram produzidos pelos pesquisadores.

Dessa forma, buscou-se uma explicação alternativa. Finalmente identificaram que as televisões, assim como as lâmpadas são sugadores de escuridão. Ou seja, quanto mais TVs menos escuridão no raio de amplitude dos aparelhos. Os cientistas finalmente descobriram que a escuridão é a chave da reprodução. Algumas micro-explosões demográficas reportadas depois de apagões confirmaram a importância da escuridão no processo reprodutivo.

Do ponto de vista cultural, é sintomático que os pais costumem recomendar aos filhos que evitem lugares escuros, especialmente os becos .

Uma pessoa que frequente a escuridão com regularidade é o elo perdido que explica a gravidez e o nascimento de bebês. Foi comprovada a correlação trigono-pitagórica entre o número de pessoas no escuro juntas e as chances de reprodução. É quase impossível que uma pessoa sózinha no breu fique grávida mas, uma vez colocada uma segunda pessoa no mesmo espaço atro, as chances de reprodução aumentam dramaticamente.

Quod erat domonstrandum.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Manguito rotador




Do ombro ao cotovelo e onde for
Ai que dor no manguito rotador

Tendinopatia é nome de terror
Ai que dor, no manguito rotador

Anti-inflamatório e um pouco de calor
Ai que dor, no manguito rotador

A causa real, não consigo nem supor
Ai que dor, no manguito rotador

Se esqueço um momento, logo vira horror
Ai que dor, no manguito rotador

Efeito colateral, sem carinhos meu amor
Ai que dor, no manguito rotador

domingo, 6 de julho de 2008

Dos tempos da caneta tinteiro


Agradeço à Marta Gil pela imagem e pela lembrança dos cartões perfurados do mainframe da USP

sábado, 5 de julho de 2008

Aforismos inconseqüentes

Se o futebol é o ópio do povo, deve estar falsificado.

Quem tudo quer nada tem, a menos que você seja amigo do rei.

Educação inclusiva não é uma modalidade de educação, é a própria educação.

Freud perdeu tempo estudando o ego, se estudasse o umbigo saberíamos mais sobre o comportamento das pessoas.

A ironia não deixa de ser uma forma de onanismo intelectual.

Sexo virtual é a maior causa de gravidez psicológica.

Amor incondicional. Nunca é tarde de mais para resgatá-lo.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Ana Lê

Ana lê
palavras perdidas de um poema
Falam de amor
De canções
De cinema

Ana Lê
repreende o verbo
mal colocado
O tom sem sentido
Desafinado

Ana lê
trafega figuras de linguagem
Metáforas que surgem
de passagem

Ana Lê
compõe amor e amizade
Desfia e desafia o tempo
Não a saudade

quinta-feira, 3 de julho de 2008

A insofismável antologia de Junho

Meus comentaristas estão cada vez melhores, o que torna a tarefa de escolha cada vez mais difícil.

Para vocês mais uma antologia de comentários descontextualizados :

...acho que o meu QI era de ameba...

...sempre acreditei que o metro se medisse em múltíplos do PI.

...minhas mãos em outras vidas foram sufocadas pela massa...

Alguém pode me emprestar um amante? Os que eu tinha já foram todos consumidos.

Nem ligo mais para suas traições.

Eu ainda quero ver alguém tomar banho na soda...

Pior é ver você dizer que Cafundó é aqui pertinho.

...ninguém entendeu neres de pitibiriba do que você escreveu.

Evitando, assim, sofrer reações truculentas de um marido boçal

Mas anda difícil encontrar o suavizador.

Você esqueceu de considerar os efeitos da entropia no piso macadâmico

...mas tenho que esconder o vidro de pimenta...

Eu tive que ir no Pai Google saber se você estava falando sério.

...pra ter namorado não se deve ter banheira?Que bela sacanagem você está fazendo!!!

...fariam qualquer nutricionista morrer de obstrução das artérias coronárias, só de ler isso...

Nem tudo o que corusca é áureo material.

...moqueca de charque é realmente uma delícia!!!

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Contículo catacrético

Isadora entendeu o miolo da questão, pôs a mão na barriga da perna que escorregou até o peito do pé.

Já não caminhavam na mesma mão de direção. Barcos que um dia seguiram o mesmo leito de rio resolveram seguir braços diferentes.

Dava para notar as asas do seu nariz arfando. Já tinha comprado as passagens para embarcar no avião na boca da noite.

Ele continuava a tirar a pele do tomate e a picar dentes de alho, línguas de fogo emanavam do fogão.

Ninguém mais coçava as costas da cadeira, nem tocava a asa das xícaras. Preferia os braços da poltrona, aos dela.

Nem mesmo a última tentativa sensual de tirar os botões de suas casas, arregaçar as mangas da camisa e puxar a boca da calça funcionaram.

André já não abanava mais a cauda do seu piano. Era como se a roupa que ela tirasse estivesse repleta de cabeças de alfinete.

Era um motor de centenas de cavalo num veículo que sequer tinha macaco, não era mais a menina dos seus olhos.

Aos pés da mesa, folhas de livros se espalhavam, sobre o tom do absurdo, em bico de pena.

Catacrese ocorre quando, por falta de um termo específico para designar um conceito, torna-se outro por empréstimo. Entretanto, devido ao uso contínuo, não mais se percebe que ele está sendo empregado em sentido figurado.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Pinheiro, pinha, pinhão


Uma das descobertas das crianças na nossa viagem recente a Campos do Jordão foram os pinhões. Estavam em todos os cantos, pelos gramados, pelas estradas, no teto do chalé... e o mais impressionantemente - era vendido por ambulantes na beira da estrada (quem é que precisava pagar por eles se era só ir catando pelo caminho?)

Quando souberam que aquilo era comestível resolveram colher, ou seja, voltamos para São Paulo com quase um quilo de pinhões.

O pinhão é a semente (e não o fruto) do pinheiro que se forma dentro da pinha. Nos meses de maio e junho, no tardar do outono as pinhas das araucárias estouram ao sol do meio-dia, possivelmente como reflexo da dilatação havida depois de uma noite e manhã fria.

Além do ser humano (descobrimos que era comestível com os índios guaranis) e quase todos os animais se alimentarem desse pinhão, o serelepe e a gralha azul costumam conduzi-los a grandes distâncias e armazená-los, o que fazem enterrando grande quantidade de pinhões no solo os quais, sendo depois esquecidos acabam gerando novas árvores.



Eu já vi receita de molho de pinhão com cream cheese para colocar em filé mignon (pareceu interessante, quem sabe na minha próxima ida a Campos eu colha mais) e existem dezenas de receitas, especialmente paranaenses (paçoca, farofa, torta, pinhão com lombo...), mas em toda região sul o pinhão faz sucesso, em Lages (SC) tem uma festa especial para essa semente.

Do ponto de vista nutritivo, é um grande fornecedor de proteínas.

Como se tratava de uma novidade, ficamos na receita básica, ou seja : pinhão com pinhão.

Veja como é complexa : lave cerca de um quilo de pinhões (na casca, é claro). Coloque em uma panela de pressão 1 litro de água e 4 colheres de sopa sal. Misture e acrescente os pinhões, tampe e leve ao fogo. Tão logo consiga pressão, abaixe o fogo e cozinhe por 40 minutos. Escorra os pinhões e sirva.

Se você tiver preguiça de descascar, passe em qualquer lojinha de artesanato de Campos e compre um descascador super sofisticado (um madeira furada onde se coloca o pinhão e, com uma alavanca, espreme-se o bichinho e solta-se a casca).

Ah...e antes que eu me esqueça, o pinoli não é um derivado do pinhão, mas um outra variedade, encontrada no mediterrâneo e essencial para se preparar um bom pesto genovese e vários outros pratos árabes (onde é chamado de snobar).